10-novembro-2009
No próximo 20 de novembro, comemora-se o Dia da Consciência Negra. Para quem deseja ouvir o grito de décadas de segregação e preconceito que a população negra enfrentou – e ainda enfrenta –, a melhor maneira é conferir uma das principais contribuições da população negra ao nosso país: a cultura. No próximo dia 28 de novembro, Juiz de Fora vai receber a segunda edição do Tambores da Mata. Afoxé, capoeira, samba, congada e outros ritmos da percussão prometem agitar o sangue negro que corre nas veias de boa parte da população.
“Virão grupos artísticos de Ponte Nova e Brás Pires”, revela José Geraldo Zacarias, o “Zaca”. “Minas Gerais é o terceiro estado com maior número de comunidades quilombolas. Nas cidades em torno de Juiz de Fora, é possivel encontrar cerca de 47 grupos. O encontro será emocionante”, completa. Zaca é professor e militante do movimento negro. Vice-presidente do CERNE (Centro de Referência da Cultura Negra), ele afirma a necessidade da população afro se voltar para suas raízes como forma de encontrar o futuro. “O principal objetivo do CERNE é trabalhar questões culturais, educacionais e políticas sob o viés da afirmação. O negro precisa saber de onde veio e para onde vai”, explica.
Em 1997, o Centro de Referência da Cultura Negra abriu as portas com um projeto pioneiro de educação pré-vestibular, intitulado Curso Cirene Candanda. Líder comunitária, Cirene ajudou a fundar o Sindicato das Empregadas Domésticas e o Conselho Municipal de Saúde de Juiz de Fora. Hoje, o CERNE coordena o SOS Racismo, um corpo voluntário de advogados, psicólogos e assistentes sociais que trabalham no combate à discriminação e ao preconceito na cidade e região. “As pessoas precisam tomar consciência de que o racismo é crime. Com educação, respeito e denúncias, é possivel virar este jogo”, completa Zaca.
Há um ano, Barack Obama tornava-se o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América. Em duas novelas do horário nobre da TV Globo, as principais atrizes do elenco são negras. Há pouco mais de um mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que mais da metade da população brasileira tem a pele parda ou preta. Portanto, a segregação histórica que vitimou a população negra não só no Brasil como em boa parte do mundo está com os dias contados?
Não é bem assim. Em pesquisa divulgada mês passado, 92% das ações de racismo são caracterizadas pela Justiça carioca como simples injúria. Em junho, dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) revelaram que os negros têm maior jornada de trabalho, estão em setores menos protegidos pela Previdência Social e são a maioria dos trabalhadores sem carteira assinada. Agora, responda rápido: se você se considera negro, em qual dos dois cenários você acredita?
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Produção laboratorial em Jornalismo Hipermídia, Faculdade de Comunicação Social (UFJF). Matérias e reportagens locais, além de reflexões sobre os fazeres jornalísticos em sua relação com as tecnologias. Coordenação: Profa. Ms. Luciene Tófoli e Prof. Dr. Bruno Fuser. (De 2008 a 2009, Profa. Ms. Diana Paula de Souza.)
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Arthur, “evelaram que os negros tem”. Este têm tem acento. Mas, por favor, confira sua postagem. Ela ficou incompleta.
Texto excelente - pode ter ficado um pouco fora do padrão estritamente informativo (a pergunta feita ao final da matéria principal é característica de jornalismo de revistas, ou jornalismo estilo magazine, ou interpretativo), mas não traz opiniões pessoais do autor do texto.
E temos foto, feita pelo próprio autor, é isso aí.
Você conseguiria lincar a matéria da internet da Agência Brasil - melhor que lincar para o IBGE.
Verificar questões relativas a pontuação.
Dar espaço duplo entre os parágrafos.
Verificar padrão Folha: CERNE ou Cerne?
Amplie a foto dos cartazes (link interno), para que seja possível a leitura.
Faltou fazer algumas das correções.